sábado, 12 de maio de 2012

A Conversão de Jack Sparrow

Mestre, que farei eu de bom,
para alcançar a vida eterna?


Até mesmo o capitão Jack já se perguntou sobre o que será de sua vida após a morte, principalmente em casos de "extrema necessidade". No filme, ainda que a sua confissão tenha sido feita com um tom de ironia e interesse - como sempre, aliás... - ela pode nos trazer uma reflexão proveitosa sobre nossa vida cristã e sobre o que temos feito para merecer a vida eterna com Deus (se é que isso é possível). Vamos ver o que o pirata mais conhecido de nossos dias fala sobre a vida após a morte:


Jack, depois de ter reparado no estado de cárcere e sofrimento de Serena - a sereia capturada pela tripulação, se volta ao clérigo, em tom duvidoso, lhe dizendo que estaria preparado para acreditar no que fosse preciso para "ser bem vindo naquele lugar para onde os bonzinhos querem ir". Uma reação, aparentemente natural a qualquer pessoa, já que materialmente falando, estamos acostumados a fazer trocas para obtermos aquilo que necessitamos desde que o homem decaiu do seu estado de graça: "No suor do rosto comerás o teu pão..." (Gênesis 3.19). Mais natural ainda é perceber que um simples esforço intelectual poderia livrar o picaresco personagem de uma condenação eterna.

Mas e a conversão de que fala o missionário? Bem, a conversão sincera é um milagre de Deus, ela não está baseada em nenhum tipo de troca. Ela somente se dá quando negamos totalmente a nossa natureza humana e nos colocamos diante de Dele como pó, "porque tu és pó e ao pó tornarás"(Gênesis 3.19). Não é uma disposição que nasce do coração do homem, mas é obra do Espírito Santo, que nele desperta  a necessidade e o desejo de reconhecer o seu Criador e de louvá-lo enquanto propósito de sua existência. Sendo assim, não há nada que o homem possa fazer, não há conduta, não há obras, dinheiro, não há compreensão intelectual (João 3.1-10) que, por si só, revele a graça redentora de Deus.

Depois do diálogo entre Jack e o clérigo, somos levados a outro plano. Através do enquadramento da câmera passamos a reparar no sofrimento de Serena. Capturada e presa numa espécie de aquário, ela se sente sufocada, já que agora passa a respirar como os humanos e, por isso, necessita de ar tanto quanto os demais. Percebendo essa necessidade o clérigo se aproxima e, ainda que desprezado pelo intendente, abre uma fissura no aquário e permite, então, que ela viva e mantenha-se respirando graças à Bíblia que é depositada na fechadura do recipiente. Ainda que essa cena do filme se apresente, aparentemente, sem propósito, ela nos faz lembrar um pouco o nosso sofrimento neste mundo.

A cena dura pouco mais que um minuto e ainda que tenha sua importância, o tema da conversão não é o objetivo principal do filme. Mas ela nos faz lembrar de outra passagem que, ao meu ver é ainda mais interessante:

Lucas 24. 44-47
44 A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45 Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46 e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia 47 e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.

Este é o momento em que Jesus, depois de haver ressuscitado, aparece aos discípulos pela segunda vez.  Antes de subir aos céus, Ele lhes explica as Escrituras e, como filho de Deus, confirma e reafirma, através do seu testemunho, o cumprimento da Palavra. E não só isso... Jesus também dá entendimento aos seus discípulos para que compreendam as Escrituras, mostrando, assim, que o entendimento não está ao alcance do homem a não ser que Ele, através do seu sacrifício, o capacite. Dessa forma, os discípulos percebem o sentido de todo o plano redentivo - o motivo da morte de Cristo e a sua ressurreição ao terceiro dia, que, aliás, desde antemão já estava cuidadosamente anunciada.

A verdade é que Deus, através do seu filho Jesus Cristo, nos redimiu de nossos pecados e transformou nossas vidas! Não há como retribuirmos esse presente... nossas obras jamais poderão comprar, ou retribuir o sacrifício que Jesus fez por nós na cruz. Foi por meio Dele que recebemos o Espírito Santo (Atos 1.8), e foi por meio Dele que alcançamos entendimento. Muitas vezes, nos sentimos como Serena, como um peixe fora d'água neste mundo e  o nosso único conforto é a sua Palavra, que nos dá fôlego de vida! O que nos resta é pregar o arrependimento, esperando que a obra de Deus se realize na vida de todos, a começar por aqueles que em casos de "extrema necessidade" procuram o cuidado de Deus.

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